Do que adianta te amar se contigo não posso estar?
E, se o inferno não existisse, voaria até o infinito comigo?
Você é a proporção perfeita do que me falta.
És as vinhas do meu jardim.
São os teus olhos que procuro em meio à multidão,
é o teu abraço que imagino,
é o teu toque, o teu cuidado…
É contigo que eu queria estar.
Você é a personificação de águas tranquilas,
de pastos verdes e mansos,
uma paisagem deslumbrante
em um fim de tarde oportuno.
Você é o tipo ideal.
Eu não escolhi te amar,
eu não decidi te encontrar
todas as noites em meus sonhos.
E, mesmo assim,
Eu te amo.
Te amo, porque te amo.
Meu coração te escolheu.
O amor não é substancial.
Posso te amar
mesmo você amando outra pessoa.
Você pode me amar
mesmo estando com outra.
Ser ou não ser,
Eis a questão.
Meu amor não é divisível.
Nem a maldade do tempo
me fez me afastar de você,
nem mesmo a vaidade
de acreditar que seria amado.
Me deito em terras tranquilas,
na imensidão do paraíso.
Contemplo a paz que alcancei,
me lembro do dia em que te amei.
Percebo que ainda te amo
e não me arrependo de nada.
A versatilidade dos sentimentos
grita mais alto do que o simples porquê.
Estamos a salvo agora.
Nesse plano você foi paisagem,
Em outro plano fomos autorretrato.
Aqui amar foi dizer adeus.
Em um mundo de fantasia,
onde o certo e o errado não existem,
ainda seríamos Adriano e Antínoo?
Com carinho, Bruno Zampirolli


Deixe um comentário