Mundo das flores

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Sante Zampirollo era um motoqueiro que entregava flores aos seus amores. Em um trágico acidente, morreu com elas nas mãos. Mas a rosa encantada que carregava lhe concedeu nova vocação: ajudar os encalhados a encontrarem a paixão.

Assim nasceu o Motoqueiro da Paixão. Sua última ação em vida foi escrever o Pergaminho da Emoção.

Nele declarou:

A lenda do Motoqueiro da Paixão é real.
E neste manuscrito sagrado revelo
como ele pode ser encontrado
no Mundo das Flores.

Em algum lugar do infinito,
onde a imaginação percorre
e o extraordinário explode,
existe o Motoqueiro da Paixão
aquele que conduz corações à razão.

Se seu pedido for sincero,
ele ouvirá teu coração
e te levará à tua maior paixão.

Mas o caminho não é linear.
E antes de alguém amar,
em si mesmo terás que acreditar.

Pegue um girassol.
E Vá ao parque.
Coloque sua música
e veja a verdade nua e crua

Solte uma pétala no chão
e diga com emoção:

Motoqueiro dos enamorados,
corta o vento e meus fardos.

Motoqueiro das madrugadas,
guia meus sonhos pelas estradas.

Mensageiro dos corações inquietos,
atravessa silêncios e afetos.

Motoqueiro do amor urgente,
me conduz ao morro dos ventos.

Cavaleiro de farol aceso,
leva-me ao abraço que é meu endereço.

Guardião das ruas e suspiros,
acelera em direção ao meu destino.

Motoqueiro do destino ousado,
entrega-me ao peito que tenho guardado.

  Em um dia de outono, entediado pelo cansaço dos meus pensamentos, decidi caminhar pelo bosque encantado. Sempre acreditei que esse nome era apenas para enganar otário, até encontrar o pergaminho sagrado. Desacreditado pelo que li, caminhei até um jardim. Nele ali profanei o que encontrei. Naquele jardim, um portal me sugou e me levou até um mundo mágico, onde as nuvens eram feitas de algodão e as árvores respiravam sem limitação e nenhuma palavra era dita sem uma enorme conotação.  Uma fumaça tomou conta de tudo e escutei um barulho, uma luz quase divina tomou conta dos meus olhos. Ele era mesmo o motoqueiro da paixão? Tirou o capacete e pude observar a criatura mais bela que já vi em toda minha vida. Ele me encarou, me olhou como se já soubesse de toda minha vida e disse:

— Jovem rapaz, ouvi seu clamor, como posso te ajudar a encontrar o amor?

— Você é tão.. Tão, bonito. — Disse sem palavras. 

— Não se apaixone, cidadão, eu assumo a forma da sua obsessão — diga logo seu padrão: tá encalhado ou só sem aprovação?

— Nossa, não precisava humilhar, você é meio direto, né?

— Se a paixão quiser encontrar, o caminho correto tem que trilhar, não tem mapa, não tem segredo, o amor não tem esses receios, e não venha com liberdade ou solidão todo mundo quer uma paixão. 

— Eu sei… mas é difícil. Quem eu quero não me quer. Procuro e não encontro o fim. Estou preso num restaurante e não sei como sair.

— O que procuras não é amor. É ternura. Uma locomotiva sem alternativa, trilhando até o fim da vida. Diga-me: rejeição… ou leitura tua?  Ressignificaste o sentido da procura?

— Você diz, como quem não entende o amor, é além da escolha e não é livre da dor, na minha imaginação a história cria forma e a aventura de um broxa vira epopeia histórica. 

— Sou o motoqueiro da paixão e se a grande emoção quiser encontrar, na minha garupa deve montar. Vem sem pressa, pois essa estrada te espera e lembre-se, se o amor quiser encontrar, primeiro tem que se amar. 

— Eu sabia que era conversa, você vem com esse papinho de coach, com essa filosofia barata de livro de autoajuda, na sua garupa não vou subir, pois aprendi que amar a mim mesmo é um caminho difícil de seguir, um amor logo quero então sem você caminharei por esse cemitério. 

— A escolha sempre é tua. Pode seguir sem se cuidar, a paixão ainda encontrarás, o jegue da decepção te guiará. 

— Como que é inimigo? Você quer que eu caminhe essa estrada toda de jegue? Motoqueiro, tenha dó, para de manha! Me mostra logo onde meu loiro se encontra? 

— Menino teimoso, se meu conselho não quiser seguir, saia logo daqui, pare de bobeira e boa sorte com o  burrito sem estribeiras. 

    Que motoqueiro mais chato, nem me  arrumou um namorado. Que história doida, para encontrar o amor a terapia terei que pagar e o amor próprio encontrar? Que besteira, seguirei sem rumo, sem saber o que procuro e qualquer calango que pra mim piscar, meu coração a ele vou entregar. Encontrarei aquele Jegue falante, espero que ele não seja estonteante. Que ideia mais brilhante, encontrar por conta própria o lago dos amantes. Observo de longe enquanto o jegue teimoso e manco caminha lentamente em minha direção. 

— Olá, querido viajante! Eu sou o Jegue da decepção, o companheiro de  pessoas tapadas assim como você que procura algo que nem sabe o que é. 

— Só o que me faltava, mais um para me humilhar, olha senhor burrito, se você me vier com mais um papinho de terapia, fazer caminhada, cuidar do cabelo ou amar a mim mesmo, pode caçar outro trouxa. 

— Não se preocupe, desquerido! O caminho da decepção não é reto, é cheio de curvas, comigo não tem ternuras, nem rimas filosóficas e minha diversão será sua decepção. Embarque nessa jornada,  o caminho com o jegue da decepção é mais divertido, pois rio enquanto você fica perdido, comigo não há tempo ruim, pois suas lágrimas é o motivo da minha piada, quando cansar e aprender, desse jeguinho não irá mais ofender. 

    Querido e gentil leitor, esse jegue é deveras cômico, porém o caminho da decepção não me torna o diamante da temporada, só me faz ser o motivo da piada. Galopei o dia inteiro e esse bendito jegue riu de mim o dia inteiro. Como se fosse culpa minha  gostar do bendito calango seco. O burro me deixou na curva e aqui descobri que amante não tem lar e nunca vai casar. Voltei para a estrada e na próxima parada, o ladrão do amor me pegou e me mostrou os peitos e o delegado me flagrou de saco cheio. O Jegue me Caçoou como que dinheiro você mandou? Então o jegue me perguntou: 

— Até onde você iria, para encontrar o amor? 

— Até o fim do mundo, preciso viver o romance, preciso senti-lo…

— Primeiro, teria que saber seu valor, você é inteligente garoto e interpreta direitinho: Amai aos outros como a ti mesmo. 

— Como poderia amar, se aprendi a me odiar? 

— Então, começa a aprender a como se amar e o amor te encontrará. 

     De tanto sofrer, me tornei vítima que nem o jegue suportou. todos tinha culpa menos minha falta de amor, o espelho virou inimigo. Então, eu entendi: Não é sobre a procura do amor, é saber onde está o desamor, é sair daquele restaurante, sair do lugar confortável de vítima, é compreender que o clichê é funciona e entender: quem ama também tem percalços e é melhor nadar por águas tranquilas e solitárias, do que por tsunamis sem fim. O amor não é meritocracia, ele é um direito de todos e existe de todas as formas, antes de procurá-lo, primeiro temos que senti-lo.  Em minha jornada, entendi que não existe um caminho certo, existe aquele que escolhemos seguir. E eu escolho a guerra daquele que sonho em ser, venceria cada luta diária, cada desafio, cada superior emburrado, cada pedra em meu caminho.

 Encontrei um novo pergaminho perdido pelo caminho. 

Sante Zampirollo revela que o segredo nunca esteve em suas flores e sim em como saber escolher seus amores. O grande aprendizado é aquele que adquirimos vivendo. Para sair do mundo das flores diga com precisão: 

Foi quando finalmente percebi
Que amar a mim mesmo
Era um ato de coragem,
Um desafio maior do que amar o mundo.

Foi quando finalmente percebi
Que meus defeitos gritavam alto,
Ecoando dentro de mim,
E ainda assim, eles também eram parte do todo.

Foi quando finalmente percebi
Que a perfeição não é real,
E minhas falhas, tão temidas,
São apenas marcas de uma vida vivida.

Foi quando finalmente percebi
Que o perdão que eu buscava
Não vinha de outros olhos,
Mas do reflexo que evitava.

Foi quando finalmente percebi
Que o amor-próprio é sutil,
Não nasce de um momento,
Mas cresce em pequenos atos gentis.

Foi quando finalmente percebi
Que aceitar quem eu sou,
Com luzes e sombras,
É o caminho para encontrar paz.

Foi quando finalmente percebi,
Que para sair daqui 

a lição aprendi. 

  Digo aquelas palavras em alto e bom tom, então uma fumaça reapareceu e o jegue e o motoqueiro apareceu.

— Eu sabia que vocês dois estavam culiados e nenhum de vocês  me arrumaram um namorado, eu só queria ser amado e viver feliz para sempre, com um macho ao meu lado. — Exclamei. Então o Jegue me respondeu: 

— A busca pela felicidade perpétua…  é completamente insensato querer ser feliz o tempo inteiro,  na verdade não é possível e nem realista, pois não se sabe o que é a alegria sem experimentar a tristeza. Aqueles que conseguem voar mais alto, também consegue aprofundar na maior profundeza. 

       O motoqueiro complementou: 

— O caminho do amor próprio você encontrou e não foi o mundo das flores que te ensinou, agora que sabes o que é a procura do amor, a realidade retornará e agora finalmente poderá descansar. 

       Um portal surge e caminho naquela direção, olho para trás e percebo que sempre existiu dois caminhos, o da decepção e o  do motoqueiro da paixão. 

Qual deles você irá seguir? 

Com eloquência, Bruno Zampirolli

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