A galinha sempre sorria, tinha um coração de ouro, sempre gentil, sempre cautelosa. Tinha uma maneira de observar o mundo por um olhar que não carregava ódio, apenas amor. Tinha o desejo de curar o mundo com suas canções. Porém, carregava consigo a necessidade de agradar, de sempre fazer as vontades dos outros.
Certo dia, o boi se aproximou, como quem não quer nada, bem próximo ao horário do almoço, e disse:
— Nossa, senhora galinha, seu feijão com quiabo é tão delicioso. E, vendo a senhora preparar seu feijão com tanto capricho, me deu uma vontade.
Mesmo odiando o quiabo no feijão, a galinha ficou com medo de desagradar o boi. Então cortou o quiabo e adicionou ao feijão. Quando ficou pronto, a galinha se serviu apenas de arroz, enquanto o boi se serviu de todo o feijão. Depois de satisfeito, o boi foi embora e nem lavou os pratos.
Mais tarde, Dona Pata foi visitar a galinha. A pata era imensa, gorda de tanto se aproveitar da galinha.
— Nossa, dona galinha, já estamos conversando há tanto tempo que me deu uma fome. Pede alguma coisa para a gente comer, depois te dou o dinheiro da minha parte.
Mesmo sem dinheiro, a galinha ficou com medo de decepcionar a pata. Afinal, a galinha tinha poucos amigos e tinha medo de ficar sozinha. Então pediu uma pizza. Depois, a pata pediu sorvete e, para acompanhar, muita pipoca. Assistiu ao filme até tarde na casa da galinha. Mesmo morrendo de sono, a galinha não queria deixar a pata triste.
— Minha amiga, depois de tanto comer, estou sem coragem de andar. Poderia me carregar no colo até sua cama?
A pata nem tinha pedido para dormir na casa da galinha, mas, mesmo assim, a galinha carregou a pata até sua cama e dormiu no relento.
No outro dia, a galinha estava com uma dor horrível nas costas e sem dinheiro. A pata já tinha ido embora e nem se despediu da galinha. Desesperada e com muita dor, resolveu ir até a casa da pata. A galinha bateu na porta, porém ninguém respondeu. Ela exclamou na porta:
— Dona Pata, preciso da sua ajuda! Estou com muita dor e preciso da sua parte do dinheiro para comprar remédios.
A pata nem respondeu.
Com muita fome, resolveu ir à casa do boi. Afinal, estava perto da hora do almoço. A galinha estava fraca, mal podia caminhar de tão exausta. Ela chegou à casa do boi e perguntou:
— Senhor boi, estou com tanta fome, senti muita dor nas costas e não consegui fazer o almoço. Poderia almoçar em sua casa?
— Me desculpe, senhora galinha, só tem o suficiente para mim.
A galinha, desanimada, foi embora. Chorando, desacreditada, perguntava-se onde estavam seus amigos quando ela precisava. Suas lágrimas tomaram conta de seu rosto. Foi então que ela encontrou o galo. Ele, curiosamente, perguntou:
— Por que choras, Dona Galinha?
— Sempre fiz de tudo para agradar meus amigos e hoje precisei da ajuda deles, e eles não me ajudaram. — a galinha desabafou.
— Dona Galinha, se você precisa fazer algo para eles serem seus amigos, eles não são seus amigos. Você não precisa dizer sim para tudo para agradar. Você precisa começar a se respeitar e depois impor esse respeito. Enquanto estiver tão ocupada com os outros, nunca sobrará tempo para você.
Refletindo sobre as palavras do galo, a galinha parou para pensar, qual tinha sido a última vez que tinha feito algo para ela e por ela, somente a dor de ser rejeitada pode machucar assim. Ela sentia em seu coração um medo que tomava conta de si, eu preciso ser boa, eu preciso ser extraordinária, as pessoas precisam gostar de mim. e ela disse em voz alta:
— Todo mundo queria meus ovos… ninguém queria saber se eu tinha fome, pois Cisquei tanto por aceitação que esqueci onde era meu próprio ninho. Talvez eu não seja insuficiente… talvez só esteja no galinheiro errado.
Foi então que a galinha finalmente entendeu. E foi quando ela aprendeu a dizer não que seus amigos nunca mais a procuraram. Afinal, eles nunca gostaram dela de verdade, e sim de sua utilidade. Então, começou a dizer sim para si mesma. Começou a cantar. Ganhou, primeiramente, a si mesma e depois ao mundo.
“Não viva para agradar as pessoas. Comece agradando a si mesmo.”
Com carinho, Bruno Zampirolli.


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