Arco íris

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  Arco Íris 

   A complexidade das cores nos trás uma perspectiva  nunca experienciada pela humanidade. Cada tom, seja abaixo ou acima, tem sua própria definição e juntos formam o arco íris. As possibilidades são inúmeras quando se tem criatividade e a diversidade das cores nos faz enxergar infinidade de escolhas que podemos tomar e cada escolha nos gera um caminho e cada caminho tem um interseção entre o que poderia ter sido e o que foi.

    Dizem que, no começo de tudo, existia apenas um vasto breu, não era vazio, só estava quieto demais, como quem segura a respiração antes de mergulhar. Então, num estalo suave, um único ponto de luz surgiu. Pequeno, tímido, quase inocente. Mas dentro dele pulsava uma verdade que mudaria todos os mundos: não existe limite para o que pode nascer do possível

   Esse ponto de luz explodiu, mas não em destruição, explodiu em cores. Cada cor era um universo; cada tom, uma vida inteira; cada nuance, uma escolha que gerava novas trilhas. O vermelho profundo abriu caminhos onde o amor era luta. O azul sereno criou mundos onde a calma era força. O amarelo estourou realidades feitas de coragem que nunca desiste.

    E assim, de cada cor, ramificaram-se novos tons. Universos paralelos se formaram como pétalas de uma flor infinita. Em um deles, as pessoas voavam porque não tinham medo de cair. Em outro, cantavam mesmo silenciosas, porque sentir também é linguagem. Em outro, o tempo corria para trás só para ensinar que nem tudo o que foi precisa doer para sempre.

   Um dia, uma cor diferente cintilou no meio desse jardim cósmico, era iridescente, impossível de nomear. Dentro dela, duas almas caminhavam sem saber que pertenciam uma à outra em todos os planos possíveis. Onde uma ia, o brilho mudava; onde a outra sonhava, nascia um universo novo. Era como se o multiverso inteiro sussurrasse: quando duas luzes se encontram, até o destino rearruma suas constelações.
Somos feitos de cores que se multiplicam. Cada decisão abre um universo. Cada afeto pinta o próximo. E na dança entre luzes infinitas, a gente descobre que nunca existe só um caminho, existe nós, iluminando a estrada por onde escolhemos passar.

      A complexidade dessa estrada não cabe a você decidir, foi a categorização automática do universo que descreveu qual rumo sua proporção deveria tomar e o que de você iria dissuadir. Poderia ter navegado em oceanos mais calmos ou ter caminhado por caminhos com menos espinhos, mas nada disso adianta. Pois a complexidade sempre esteve dentro de você e nunca foi sobre as runas que passara, mas sim sobre parar de querer encontrar as respostas em outras pessoas, quando elas estão dentro de ti. Você só precisa parar de ter tanto medo de si mesmo. Afinal, sua existência não deveria constranger ninguém, você não deveria ter tanto medo de andar na rua sozinho a noite, ou de beijar a pessoa que você ama em público. 

    O conceito de certo e errado constituído pela sociedade gera o que algumas pessoas chamam de padrão e esse padrão fora criado a partir de análises sociais arcaicas, baseadas em padrões repetidos de que algumas pessoas julgaram como aceitável e posteriormente esse julgamento gerou práticas e essas práticas vivem até hoje nas raízes dos indivíduos. Neste sentido, é notório que o preconceito se encontra de forma tão estrutural que a própria pessoa não consegue discernir de onde vem aquele ódio ou aquela predefinição sobre algo que ela nunca nem estudou sobre. O número crescente de uso excessivo de redes sociais elevou o número de “influenciadores” que não possuem grau técnico divulgando informações como se fosse especialista. O conteúdo chega de forma sutil e o público alvo é literalmente os mesmo que não possui estudo sobre algo e acredita em temáticas que são compartilhadas sem sequer conferir a fonte da informação. Esse efeito gera uma problemática da globalização que é chamada de desinformação que anda lado a lado com o preconceito, predefinições, Fake News,inverdades e principalmente: ódio. 

   Os elementos abordados anteriormente são apresentados de forma categórica do contexto hodierno que segue em conjunto com a teoria das cores. Isso devido a forma que o universo é constituído por padrões. 

   Assim, quando observamos o universo pela lente da ciência, percebemos que ele se ergue sobre padrões recorrentes, simetrias, frequências, repetições e sequências que moldam desde a formação das galáxias até o comportamento da luz, cuja decomposição em cores revela a estrutura eletromagnética que sustenta toda percepção. Esses mesmos padrões, quando aplicados ao conceito de multiverso, sugerem que cada variação mínima pode gerar uma possibilidade distinta, como se cada cor abrisse um desdobramento do real. Porém, enquanto a física opera nessas leis expansivas, a sociedade criou padrões artificiais, não de luz, mas de controle que, ao invés de multiplicar caminhos, os restringem. É nesse choque entre a ordem natural do cosmos e a ordenação enviesada humana que nasce o preconceito: uma tentativa de fixar o que, pela própria natureza, deveria ser plural, fluido e diverso.

      De forma hipotética é como se pudemos através da manipulação das cores mudar a realidade. Por exemplo, se eu dissesse que toda banana boa é roxa e a partir disso as bananas roxas são melhores que as amarelas. Uma mudança sutil gera para o universo um novo padrão e através dele é gerado o controle das massas, graus hierárquicos e principalmente a superioridade. Nessa tocante, a nossa realidade é constituída por aquilo que vemos, ouvimos e acreditamos. Até parece uma hipérbole quando dizemos que o bater de asas de uma borboleta pode gerar uma catástrofe do outro lado do mundo. Mas a teoria do caos segue a mesma lógica que o conceito de multiverso. Tudo acontece por um motivo e tem uma ordem de fatores que não é irrelevante. Em uma situação teórica simples: Você se arruma para trabalhar e escolhe tênis amarelos do pikachu, mas antes de sair de casa sua mãe alerta que seus tênis são horrorosos e você muda seus tênis para um sapato social preto. E se? E se sua mãe não tivesse interferido? Existiria outro universo diferente onde você foi para o trabalho com tênis do Pikachu e o que poderia mudar? Bom, desde resultados insignificantes ou para algo que mudaria sua vida. Talvez uma linda garota iria se encantar com seus tênis amarelos e a partir disso se apaixonaria… As cores podem mudar tudo. 

    A realidade é composta por cores e cada tonalidade nos causa uma sensação e o conjunto delas é formado por um espectro. Da mesma forma, é pela precisão quase teimosa da física que entendemos como as cores se tornam imagem: a luz, antes de tudo, é uma faixa do espectro eletromagnético, e cada cor corresponde a um intervalo específico de frequências. Quando essa onda luminosa atinge um objeto, parte é absorvida e parte é refletida; é apenas essa fração refletida que segue viagem até nossos olhos. Lá dentro, a luz atravessa a córnea, é focalizada pelo cristalino e finalmente alcança a retina, onde três tipos de cones sensíveis ao vermelho, ao verde e ao azul, convertem essas frequências em sinais elétricos. O cérebro, então, faz a síntese: mistura, compara, interpreta. É ele quem transforma ondas em paisagens, espectros em memórias e luz em significado. Em outras palavras, não vemos as cores como elas são, mas como nosso corpo traduz o diálogo complexo entre física e biologia, como se cada imagem fosse uma partitura invisível tocada pela luz e decodificada pela percepção. 

A sua vida são cores 

Que são feitas de escolhas 

Com boas escolhas

Você viverá o arco íris. 

Com muitas cores, Bruno Zampirolli

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