Começo
Elizabeth tinha uma maneira única de estar no mundo. Ela enxergava detalhes que os outros ignoravam, sentia dores que ninguém via e sorria como quem tenta esconder rachaduras no peito. Nasceu no interior do Texas, longe de qualquer promessa de futuro. Nunca terminou o ensino fundamental. Nunca teve a chance de ser criança por muito tempo.
Sonhava com uma vida perfeita, dessas com pétalas de rosa, drama de novela e sorvete no fim da tarde. Mas a vida arrancou isso dela cedo demais. Aos nove anos, sua inocência foi destruída pelo padrasto. Ela tentou contar para a mãe. Tentou, com palavras pequenas, explicar horrores grandes demais para uma criança.
O rosto da mãe empalideceu, mas nada mudou. Disse que “não foi nada”. Disse que era melhor esquecer. Disse o que mulheres quebradas dizem quando dependem de homens que as desfazem. E Elizabeth aprendeu: quando ninguém te salva, você silencia. A partir dali, passou a ter pavor de perder o controle. Cresceu assistindo a mãe desabar e, por isso, amadureceu cedo demais. Aos treze anos, enquanto sonhava secretamente com bolo, balões e presentes, percebeu que nunca teria uma festa de aniversário. Nunca teve.
A mãe era omissa.
Os irmãos riam da sua fragilidade.
E a figura paterna que deveria protegê-la era a mesma que despedaçava sua alma.
Cansada de tanto, decidiu que a rua era mais lar do que sua própria casa. Elizabeth adorava o cheiro de pão pela manhã. Parava diante da vitrine da padaria, imaginando entrar, pedir um café quente, um pão de queijo e uma fatia generosa de bolo. Sua imaginação corria solta, era sua fuga favorita. Mas tudo se partiu quando viu um pai carregando a filha no ombro. A menina fazia uma birra porque queria uma boneca nova, enquanto Elizabeth sonhava apenas com um pedaço de pão.
O homem percebeu a garota parada ali. Os olhos dele tinham uma bondade silenciosa. Ele tocou suavemente os cabelos dela, mas ela recuou, seu corpo lembrava cicatrizes demais.
Perguntou seu nome com delicadeza.
“Elizabeth”, respondeu.
E, quando ela perguntou o dele, ouviu:
“Oswaldo.”
Oswaldo foi o anjo que a adotou aos treze anos. Depois de meses sem casa, sem teto, sem futuro, Beth encontrou um lar. Mas era como um cachorro que fora picado por cobra e passou a temer até linguiça. Queria confiar, mas o medo sempre chegava primeiro. Ainda assim, havia nela uma luz. Cozinhava bem, ajudava em tudo, era gentil de um jeito que incomodava.
A nova mãe admirava seu cuidado, sua força, seu jeito de tentar segurar o mundo com as duas mãos. Mas esse brilho também atraía sombras: os irmãos adotivos a atacavam, zombavam, tentavam apagá-la.
E isso plantou nela um sentimento profundo:
o de nunca pertencer a lugar nenhum.
Meio
Os anos passaram, nossa querida Beth cresceu. Seu novo lar foi conflituoso, foi a linha tênue de ser amada pelos novos pais e odiada pelos novos irmãos. Ela se destacava entre os demais, voltou a estudar e aprendeu sobre os grandes filósofos que questionavam o porquê das coisas e então ela passou a se perguntar: Porque comigo, o que eu fiz? Foi a forma que sorri, foi a roupa que estava usando, foi meu jeito inocente, porque ele fez isso comigo?
Elizabeth não chorava. Não porque não quisesse, mas porque parecia que as lágrimas tinham desistido dela. Ela tentava ser perfeita, tentava controlar tudo, calculava como iria descer do ônibus, imaginava diálogos em sua cabeça, observava o mundo e tentava replicar cada ação dos outros como se fosse suas. Tentava se encaixar, ria de piadas que não tinha entendido, chorava em filmes que já sabia o final desde o começo. Reconhecia padrões em todo lugar, disfarçava seus comportamentos repetitivos como ninguém. Beth precisava ser perfeita. Ela criou uma personagem e desempenhava esse papel muito bem. Otimista do tipo que cumprimenta todos com um longo Bom dia! Em plena às 07 da manhã. Sua risada é tão doce quanto um suspiro no café da manhã.
Cada abraço que recebia da nova família soava como empréstimo e ela nunca sabia quando teria de devolver. Ela queria acreditar que estava segura, mas o coração parecia sempre dois passos atrás, esperando a queda. Foi quando ela se apegou nos livros, Ela lia escondida no porão, a luz passava pela fresta da janela e conseguia enxergar as páginas. Ela leu sobre uma garotinha órfã super falante. Ela nunca pensou que fosse se identificar tanto com Anne e aprendeu valiosas lições com ela. Apegada ao conhecimento e julgada por pessoas que não o têm.
Ela era como uma casa que já pegou fogo: reconstruída por fora, mas ainda com cheiro de fumaça por dentro e quando alguém era gentil com ela, seu coração se assustava antes de se alegrar, como se a felicidade fosse um animal selvagem prestes a fugir. À mesa do jantar, ela ouvia as conversas como quem escuta um idioma distante, Ela arregalava levemente os olhos antes de responder a qualquer pergunta, como se buscasse permissão invisível. Quando ria, levava a mão ao pescoço, hábito de quem aprendeu a proteger instintivamente o próprio corpo. Na cabeça dela, havia lugares onde ninguém gritava, onde ninguém tocava sem pedir, onde ela podia existir inteira. Sentia culpa por incomodar, culpa por não incomodar, culpa até por sentir culpa.
Em seu destino apareceu um Cavalheiro, como aqueles dos contos que tanto lia. Finalmente ela se sentiu vista por alguém, desejada. Elizabeth tinha a pele clara, quase pálida, que destacava ainda mais os olhos verdes intensos. O olhar chamava atenção de imediato: era profundo, firme e, às vezes, desconfortavelmente honesto. O cabelo era preto, muito preto, liso e pesado, caindo longo pelas costas como uma moldura escura em contraste com a pele clara. Os traços do rosto eram proporcionais, nariz pequeno, lábios vermelhos e sobrancelhas escuras que reforçam o contraste natural da sua aparência. Era magra, de postura contida, movendo-se sempre com cuidado, como se ocupasse o menor espaço possível.
Ela se casou com quinze anos. No começo parecia que estava vivendo um grande conto de fadas. Sua beleza era única e atraia olhares em todos os lugares. Logo, o ciúmes apareceu e começou a corroer cada resquício de bom senso de seu marido. Richard era do tipo narcisista, do tipo que tudo corre bem, se você fizer tudo que ele pedir. Elizabeth aos poucos se limitou apenas ao círculo social dele, se desfez de todas suas roupas e só usava aquilo que era permitido pelo seu marido. Não tinha permissão para trabalhar e nem para estudar e Richard já falava sobre filhos. Elizabeth não demorou para perceber que estava em uma prisão novamente. Após o casamento ela foi viver na grande fazenda de Richard o lugar era imenso. Só que ela não tinha permissão para andar sozinha, a fazenda tinha muitos homens a serviço e Richard não suportava a ideia de ter tantos olhares para sua esposa.
A sensação de liberdade se esvaiu do peito dela e foi enterrado no cemitério de esperanças vazias. Elizabeth apanhou pela primeira vez, porque esqueceu de tirar um frango do congelador. Richard adorava frango e ele já tinha idealizado se deliciar com o delicioso frango assado. 15 segundos, é tudo que você precisa para mudar completamente de ideia sobre alguém. Foi nesses quinze segundos que Beth decidiu que deveria inverter os papéis. Ela tinha que sair da posição de vítima, mesmo sendo uma. Ela tinha que assumir o protagonismo.
Ela pensou em enforcar seu marido, mas não queria ir para outra prisão. Pensou em envenenar, mas isso deixaria vestígios. Pensou em fugir, mas não iria demorar nem 48 horas para a polícia lhe encontrar e trazer ela de volta para seu marido e ainda poderia ser acusada de histeria. Foi quando uma ideia surgiu em sua cabeça. Se ela fosse à polícia para denunciar seu marido por violência doméstica, ninguém a daria ouvidos, afinal era um direito assegurado ao homem. Porém, existia algo que a polícia e a mídia adoravam. Homicídio. Foi então que Elizabeth começou a forjar sua própria morte.
Ela sabia que não seria algo fácil de fazer. Primeiro, ela iria precisar de muito dinheiro. Afinal, seu marido é um troglodita, mas ainda a sustenta. Ela precisava encontrar uma maneira segura de sair daquele relacionamento. Ela precisava fazer de tudo para sobreviver a isso. Consumada a sede de viver livre daquilo. Ela começou a contabilizar todos os gastos do marido, todas suas dívidas, seus lucros, tudo. Richard iria conhecer a alma sombria de uma pessoa ferida. Elizabeth não queria apenas o destruir, ela queria se reconstruir, queria começar uma nova vida. Ela estava disposta a fazer de tudo para dar a volta por cima.
Elizabeth
Eu passei meses colhendo cada detalhe da rotina de Richard, como quem afia uma lâmina em silêncio. A primeira parte do meu plano era simples e lenta, quase invisível: acessar as contas dele enquanto ele dormia pesado, transferir pequenas quantias para um cartão pré-pago que ele nem imaginava que existia. Nada que chamasse atenção, só o suficiente para somar uma fortuna discreta ao longo de semanas. Enquanto isso, eu guardava documentos falsos e aprendi a copiar minha própria assinatura com uma frieza que nem sabia que possuía. Eu precisava sumir sem deixar brechas, desaparecer como se a vida tivesse me engolido.
Fui ganhando a confiança do meu marido para cuidar das contas de casa, afinal eu era ótima com matemática. Fui a esposa perfeita durante meses. Porém, em um belo dia, montei uma armadilha para meu marido que ele jamais suspeitaria. Quando estávamos voltando do supermercado, propositalmente comprei ervilhas da marca que Richard odiava, isso seria o suficiente para uma discussão se iniciar. Só que dessa vez em público, na calçada de casa, resolvi responder Richard a altura. Todos os vizinhos escutaram nossa discussão. Quando Richard percebeu seu tom agressivo, me levou até dentro de casa, onde ele terminou a discussão com mais violência. Só que dessa vez, eu apanhei com um sorriso no rosto. Pois, sabia que era a última vez. Como um patinho, ele caiu em minha toca, ninguém jamais duvidaria da garota exemplar.
A segunda parte exigia mais do que inteligência: exigia coragem ou desespero. Rachel, minha vizinha, foi a chave que eu não sabia que precisava. Criei com ela uma amizade espontânea, dessas que nascem na troca de olhares cansados no corredor. Aos poucos, comecei a contar a ela que Richard estava ficando agressivo. Um copo quebrado virou um motivo, um hematoma antigo virou história, e a mentira se costurou com a precisão de uma verdade, afinal eu não estava mentindo. Por fim, contei que estava grávida. Eu precisava de uma testemunha, alguém que acreditasse em minha fragilidade e sustentasse a narrativa depois que eu “sumisse”. Rachel chorou comigo naquela noite. Eu quase chorei também, mas pelas razões erradas.
A última etapa foi a mais brutal. Espalhei a casa com sinais de luta, móveis tombados, vidro estilhaçado, marcas de sangue próximas ao corredor. Deixei tudo montado como uma cena de crime escrita à força, uma história que Richard jamais conseguiria desmentir. No silêncio da madrugada, abandonei meu próprio nome e tomei o caminho da rodoviária com o cabelo preso, roupas largas e o dinheiro escondido no forro da mala. Enquanto isso, Richard dormiria acreditando que tudo estava igual. Quando acordasse, encontraria o caos e, com ele, a sentença: a esposa grávida desaparecida, as marcas apontando para um ataque violento, e uma vizinha pronta para jurar que ele era um monstro. Eu não queria que ele morresse. Prisão perpétua era um inferno muito mais adequado.
Elizabeth sabia que desaparecer exigia mais do que sumir, exigia renascer. Na manhã seguinte à falsa cena do crime, ela entrou em um salão barato na zona industrial, daqueles onde ninguém faz perguntas. Pôs cinquenta dólares na mesa e pediu que cortassem seu cabelo bem acima dos ombros. Quando o primeiro tufo caiu, ela não sentiu medo, só um desprendimento quase doce. Depois, tingiu tudo com um vermelho profundo, desses que mudam a pessoa até na luz. O rosto continuava o mesmo, mas a aura tinha virado outra; uma mulher que ninguém reconheceria no supermercado da esquina. A identidade falsa veio de um contato antigo que ela conhecera anos antes enquanto trabalhava como secretária numa firma de importação. Ele devia a ela um favor e favores, quando bem guardados, valem mais do que ouro. Em menos de uma semana, ela tinha novos documentos, novo sobrenome, novo histórico. Era uma estranha, até para si mesma.
O dinheiro era a parte mais delicada. Elizabeth sabia que transferências chamariam atenção, então usou o método mais primitivo e mais eficiente. Durante meses, sacou pequenas quantias da conta conjunta em caixas eletrônicos diferentes, sempre longe de casa, sempre em horários aleatórios. Cada retirada parecia insignificante, uma gota num oceano. Mas as gotas preencheram três cartões pré-pagos, comprados em lojas de conveniência onde ninguém pede CPF. Para despistar ainda mais, trocou parte do dinheiro por vouchers de viagem e parte em criptomoedas usando totens públicos, onde ninguém registra rosto ou nome. Quando somou tudo, tinha dinheiro suficiente para três vidas ou para uma só, muito bem escondida. E, o mais importante, Richard jamais notou. Ele vivia ocupado demais com o próprio ego para perceber que sua fortuna estava sangrando aos poucos.
Com o visual novo e o bolso cheio, ela deu vida à peça final do plano: o carro. Comprou um Mustang branco usado por meio de um vendedor particular encontrado em um grupo online. Pagou em dinheiro, sem contrato formal, sem testemunhas. As placas falsas vieram do mesmo contato que cuidou dos documentos. Em menos de vinte minutos, o carro estava legal ou ilegal da forma mais convincente possível. Ela saiu da cidade antes do sol nascer, com o motor roncando e a mala leve, cruzando estradas secundárias até chegar perto da divisa do Canadá. Ali, trocou as placas de novo, apagou as digitais do volante com álcool e jogou o celular no rio. O vento frio atravessava o carro enquanto atravessava a fronteira pela estrada antiga, a que quase ninguém usa mais. Elizabeth não olhou pelo retrovisor. Não porque não tivesse medo, mas porque sabia exatamente quem seria a partir dali: uma mulher que morreu para o mundo, mas que finalmente nasceu para si mesma.
Pobre Elizabeth
Final
Elizabeth chega ao Canadá, mas agora com outro nome: Taylor. Ela enterrou a Elizabeth, aquela pessoa que fazia de tudo para agradar os outros. A verdade é que ela nunca se sentiu pertencente a algo ou a alguém. Sua família a desprezou. Seus pais adotivos a amou, mas aquele nunca fora seu lar, seu marido aquele que deveria ter sido seu porto seguro, nunca a amou de verdade. Ela podia tê-lo matado. Mas isso não iria trazer paz ao seu coração, ela não desejava vingança, ela só queria ser amada de verdade. Pois no fundo de seu coração existia uma voz, dizendo que nunca seria amada por ninguém e que nunca iria encontrar o seu lugar no mundo.
Algo pior aconteceu com Richard, assim como nos planos de Elizabeth, ele foi responsabilizado pela morte de sua esposa. Perdeu o apoio de todos seus amigos, foi preso com uma pena altíssima. Na prisão ele pagou todo o mal que fizera em sua vida, foi constantemente abusado, agredido e ofendido. Ele sentiu na pele o que fazia com sua esposa. A morte era pouco, então agora ele pagaria por 40 anos na prisão, passando por tudo aquilo que um dia fizera para o outro. Na prisão ele não tinha status, não tinha dinheiro, nem mesmo itens de higiene básicos. Richard encontrou seu pior destino, perdeu seu ego, sua masculinidade, ele encontrou com seu pior pesadelo.
Taylor sempre cozinhou bem, foi contratada em um restaurante chique. Em pouco tempo se tornou chefe de cozinha, ela curava seu coração com os mais deliciosos pratos. Ela enterrou todas suas inseguranças e parou de olhar para o retrovisor e começou olhar para frente. Para seu futuro. Quando Taylor parou de se importar tanto com a aceitação e validação dos outros, o amor simplesmente chegou em sua vida. Se sentiu acolhida em primeiro lugar por si mesma e após isso permitiu ser amada pelo outro. Ela não sentiu em avisar ninguém que ainda estava viva, nem mesmo seus pais adotivos, pois ela queria realmente acreditar que a Elizabeth estava morta.
Ela conheceu uma garota loira, chamada Maxine que carinhosamente a apelidou de Max. Depois de alguns meses de aceitação, Taylor se descobriu. A verdade é que ela nunca questionou sua sexualidade, ela sempre teve que seguir o roteiro que todos criaram para ela. A vida empurrou a heterossexualidade nela e ela só se abraçou a isso porque era o certo a se fazer. Mas com Max as coisas foram diferentes, ela não precisava fazer coisas para agradar ou fingir ser uma pessoa que ela não é.
Foi então que Taylor finalmente entendeu: A vida é sua, então somente você tem o direito de decidir o que irá fazer com ela e como quer viver. Você pode viver no passado e se lamentar pela sua vida sofrida ou pode criar seu próprio futuro. Não invalide a sua dor, mas não se apegue a ela. A dor do outro não anula a sua, mas te faz enxergar que a sua não é o fim do mundo. Sendo Taylor ou Elizabeth ela continuava sendo um ser humano que passou por coisas terríveis, mas ela é uma sobrevivente de uma sociedade que constantemente a invalidou, a desprezou e a fez acreditar que a culpa era dela. Mas, as coisas não precisam ser assim, podemos fazer a diferença. Não é sobre o que o mundo nos reserva, é sobre o que trazemos para o mundo.
Taylor se casou com Max, abriu seu próprio restaurante e o destino reservou algo inesperado. Certo dia quando colocava o lixo para fora, Taylor encontrou duas crianças revirando o lixo. Foi quando Taylor lembrou de seu passado e enxergou a sua dor nas pobres crianças. Foi nesse exato momento que Taylor sentiu que cada situação, mesmo que difícil, a levou até ali. Taylor adotou Guilherme e Maria Laura e finalmente seu coração encontrou a paz.
A sua dor e seu sofrimento foi necessário para você se tornar a pessoa que é hoje, enfrente seus medos, trate seus traumas e vença suas batalhas e se torne aquilo que sempre sonhou. A vida é curta demais para se lamentar por coisas que acontecerão um dia ou talvez nunca. Viva o hoje e o agora.
Com Carinho, Bruno Zampirolli.



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