Desde os primórdios da sociedade, os seres humanos tentam entender o que é o amor. Tentamos vivenciá-lo da melhor forma, tentamos senti-lo ao máximo. Digamos que o amor é o sentimento mais poderoso do mundo: ele pode destruir, mas pode curar também. Ele te fortalece, mas, às vezes, te deixa fraco. Você pode passar a eternidade tentando entender o amor; mesmo que vivesse para sempre, ainda haveria algo que você não saberia sobre ele. Mas, afinal, o que é amor para você? Eu fiz essa pergunta para várias pessoas. Desde as respostas mais bonitas até as mais sem graça, eu pude aprender sobre o que as pessoas acreditam que seja o amor.
Para minha amiga Jéssica, uma psicóloga incrível, o amor é a aceitação da condição de ser diferente do outro. Essa ideia da Jéssica me lembra aquela famosa frase: “Os opostos se atraem.” Realmente somos diferentes do outro, e é justamente isso que nos torna tão especiais: aceitar a diferença do outro. Nesse mesmo sentido, Faena Kalinowski, uma escritora talentosa, definiu o amor da seguinte maneira: acolher a pessoa como é. Compartilho da mesma visão que Faena e acredito que as verdadeiras almas gêmeas não são pessoas que são iguais, mas sim pessoas que, mesmo diferentes, ainda se amam do jeito que são.
Henrique, um cientista renomado, me explicou que sentimos o amor da nossa mãe ainda na gestação. O feto sente o coração da mãe, os sons da sua voz e recebe sinais químicos positivos. Sentimos o amor mesmo quando ainda nem sabemos o que é esse sentimento. Nessa visão, Henrique acredita que o amor verdadeiro é o amor de mãe.
Minha colega Kelly disse que o amor é comprometimento, algo que, nos relacionamentos, não pode faltar, e contou que se apaixonou pelo marido dela duas vezes: uma quando eles se conheceram e outra quando tiveram sua filhinha. Ela sentiu o comprometimento de seu esposo para com a família e se apaixonou por ele novamente.
Kamilla Jéssica, minha professora de Libras favorita, compartilhou que amor são cores e que, com carinho e cuidado, vira um lindo arco-íris. Uma visão divertida do amor. Mas há uma questão: e quando o amor apaga todas as cores do seu rosto? E quando sobra apenas a solidão em seu olhar? Ao ser questionada, Kamilla afirmou que o amor não é apenas romântico e ainda frisou que ninguém é capaz de apagar suas cores ou determinar seu valor, pois apenas você pode fazer isso.
Greciane afirmou que o amor é ser amado e amar o próximo como a si mesmo. Uma linda descrição. Eu acredito que essa é a parte mais difícil do amor: amar o próximo como a ti mesmo. E o que fazer quando o próximo te irrita? Quando ele não te respeita e te faz muito mal? Nayara comentou também que amar é respeitar e dar carinho. Reafirmo que a coisa mais linda do amor é o carinho. É tão lindo ver duas pessoas de mãos dadas, ou se abraçando, ou se beijando que seja livre e respeitada toda forma de amor.
Paula Freire (não, ela não é parente do Paulo Freire, mas adora a relação) afirmou que o amor é família. Uma frase com a qual Paulo Freire concordaria. Afinal, o conceito de família é muito abrangente: você pode encontrar família em um grupo de amigos, em um lar adotivo, com o amor da sua vida e seus filhos, ou até mesmo no seu animalzinho de estimação.
Para Thiago, amor é confiança, é acreditar, é companheirismo, é dividir o seu tempo de qualidade. Fabienny compartilhou um conceito parecido. Segundo ela, o amor é o ato de companheirismo entre duas pessoas. De fato, são definições importantes para conceituar o amor. O que seria do amor sem o companheirismo?
De acordo com Luiz, o amor é a mais bela das maldições: um feitiço silencioso que te prende ao outro, costura tua alma na dele e, se um dia ele for embora, leva pedaços de você junto, vivos, sangrando e conscientes. Luiz teve uma das definições mais sombrias sobre o amor, crua, visceral e, com certeza, verdadeira. O amor tem tantas definições… É divertido analisar tantas opiniões diferentes.
Tatiane disse que o amor é um sentimento soberano. Uma definição sucinta, porém que carrega mil palavras. Eduardo acredita que o amor é entregar aquilo que não pode entregar. Algo soberano: se doar para o outro, trabalhar incansavelmente, se dedicar, fingir saber o que está fazendo, mas sempre tentar, da melhor forma, dar tudo de si, mesmo aquilo que não pode ser entregue. Você se alimenta da esperança de ser melhor, de poder proporcionar algo melhor do que teve, tenta ser forte, tenta não demonstrar fraquezas. Porque o mundo é assim, e, para vencer, é preciso ser forte.
Lorraine disse que amor é empatia. Sinto algo verdadeiro nisso. Ter empatia com o próximo é algo mágico. Amar a arte é a verdadeira forma de amor. Amar alguém de forma romântica é fácil; difícil é você amar alguém diferente de você, alguém que está fora da sua panelinha, com costumes diferentes, com cultura diferente, que pense diferente. Para amar, é preciso ter empatia.
Cristine mencionou que amor é cuidado, e Rafael mencionou a mesma coisa, dizendo que amor é cuidar. Algo lindo no amor: cuidar. Levar um chá quando você está mal, fazer uma canja de galinha ou aqueles sucos horríveis que todo mundo odeia beber quando está doente. Cuidar é importante. E escolher a pessoa com quem você vai se relacionar é difícil, pois é preciso ter cuidado: essa pessoa vai estar com você em seus momentos mais difíceis, quando um familiar morrer, quando você ficar doente… Essa pessoa ficará com você no hospital sem reclamar? Sem dizer que está perdendo um jogo de futebol importante? Amar é cuidado.
Lucas brincou, dizendo que amor é sexo. Por mais que seja um tom irônico dele, o sexo faz seu papel importante no amor. Rick, de Rick and Morty, já disse: “Escuta, Morty. Eu odeio te dizer isso, mas o que as pessoas chamam de “amor” é só uma reação química que obriga os animais a se reproduzirem. Ela bate forte, Morty… depois vai sumindo aos poucos, e você fica preso num casamento fracassado. Eu passei por isso. Seus pais vão passar por isso. Quebre o ciclo, Morty. Eleve-se. Foque na ciência.”
Lucas mencionou algo a mais também: amor é estar próximo. E Evellyn mencionou que amor é amar. Conceitos importantes, principalmente a primeira opinião de Lucas.
Segundo Eduardo, amor é vida. Para Bruno, amor é estar presente. Thiago disse que amor é gratidão. Para Paulo, amor é respeito. Marcyo acredita que amor é família, compartilhando o mesmo conceito de Paula Freire.
São tantos conceitos de amor, tantas formas de amar. Meu conceito de amor é mais abrangente. Eu acredito que o amor é volúvel e que há diferentes formas de amar e de demonstrar amor. Existe Eros, que significa amor-paixão, ele é sensual, impulsivo, carnal. O amor Philia, que é o amor que sentimos por amigos, se constrói na confiança, lealdade e companheirismo. Ágape, o amor incondicional, o mais puro, amor altruísta que não espera nada em troca. Storgé, o amor familiar é o afeto entre pais, filhos e irmãos. Ludus, o amor-brincadeira é o flerte, a paquera, o joguinho gostoso, sem profundidade. Pragma, o amor maduro de quem constrói, escolhe ficar. Philautia significa amor-próprio, amar a si mesmo, sem se sufocar, sem se esquecer.
Na minha definição, existe um tipo de amor mais cruel, aquele que mata suas vítimas e as transforma em um receptáculo de vazio imenso. Acreditamos naquilo que não existe, naquilo que sonhamos, imaginamos e que nunca vamos viver. E sim estamos falando de amor não correspondido. Quem nunca amou aquela pessoa, desejou, pediu ao universo, a divindades, alguns até simpatia faz e o amado não vem. O amor não correspondido machuca demais.
A grande verdade é que não é fácil conceituar o amor, pois se trata de um sentimento muito complexo. Passamos muito tempo tentando entendê-lo. Existem tantas barreiras nesse meio: o preconceito, o ódio, a raiva, a diferença. Até pouco tempo, pessoas LGBTQIAPN+ eram consideradas doentes, o que chega a ser irônico, pois muitos conceituam o amor como amar o próximo como a si mesmo, como carinho, cuidado, respeito, família… Mas nem sempre o direito protegido pela Constituição de 1988 é respeitado, muitas vezes, é violado pelas pessoas que acreditam no amor. Mas, se ele é um sentimento tão bom, todos deveriam experienciá-lo, certo? Seja com uma pessoa do gênero oposto ou do mesmo sexo. Digo e repito: que seja respeitada toda forma de amor.
Como escritor, poeta e comunicador, acredito no amor na sua forma mais gentil. E, mesmo tendo dificuldades em entendê-lo, estou em constante busca de interpretá-lo em sua melhor categoria em meus livros. E, se eu pudesse definir o amor em três palavras, eu diria que ele é: imensurável, indescritível e interestelar.
Lembre-se: o amor vencerá o ódio.
Com carinho, Bruno Zampirolli.



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