Zampirolli-Version.
Eu sou o patinho feio.
E isso nunca foi estranho para mim, pois sempre me identifiquei com ele. Sempre me senti excluído em relação aos demais. Sempre foi difícil me enturmar, brincar, participar.
Tenho dito a mim mesmo que não preciso estar em tudo para fazer parte do todo, o que é uma grande mentira, considerando que eu também quero participar.
Eu queria rir da piada, e não ser o motivo dela.
Eu queria ser convidado de verdade e não apenas por educação.
Alguns dirão que você é luz. Outros, que é trevas.
Alguns dizem que você fala demais; outros, que amam ouvir você falando.
Talvez exista alguém que pense em você o dia inteiro, que lembre da sua risada da forma mais gentil. E talvez existam outros que se incomodem apenas com a sua existência.
Mesmo que você mude, mesmo que fale mais baixo, mesmo que se transforme por inteiro… ainda assim, vão continuar te odiando.
Se apegue às pessoas que te querem bem e que te fazem bem.
Não crie expectativas em relação aos outros, aceite aquilo que estão te oferecendo.
Não porque é isso que você merece, mas porque, às vezes, aprender a aceitar os outros como gostaríamos de ser aceitos já é um passo importante.
Olho no espelho e me sinto como o patinho feio.
Eu amava essa história.
Mas… e se o patinho ficasse feio e desengonçado para sempre?
E se ele ficasse sozinho, e ninguém nunca fosse amá-lo de verdade?
Talvez nunca tenha sido sobre a aparência do patinho, mas sim sobre todas as vezes que ele foi excluído. Todas as vezes em que foi motivo de chacota.
E se o que tornava o patinho feio um personagem tão autêntico fosse justamente sua adversidade?
Ele era maior que os outros patos, suas penas eram diferentes, ele andava de forma estranha. Era diferente.
Mas era exatamente isso que o diferenciava de todo o resto.
Talvez, lá no fundo, ele nem precisasse daquela atenção. Talvez, lá no fundo, ele fosse o único verdadeiramente forte.
Suas penas se destacavam mais.
Ele não era exagerado. Nem triste. Nem feliz demais.
Ele era o patinho feio. O maior protagonista da literatura infantil.
Exemplo de superação e aceitação.
Se ele fosse igual aos outros, ele não seria o grande patinho feio.
Se eu fosse igual aos outros, eu não seria eu.
Talvez minha fala exagerada, minha risada escandalosa, meu jeito torto de sorrir, meu amor intenso pelas pessoas, e minha enorme empatia, sejam justamente o que me fazem ser tão eu.
Todo mundo tem inseguranças.
Só que algumas pessoas preferem projetar as próprias inseguranças nos outros.
Por isso, às vezes, você ouve que está acima do peso, que precisa malhar mais, fazer procedimentos estéticos, mudar o corte de cabelo…
Mas, lá no fundo, essas inseguranças nem são suas.
São delas.
E isso ficou tão enraizado na sua cabeça, que hoje você odeia o seu corpo, seu cabelo, e deseja mais que tudo ser como as outras pessoas.
O patinho não queria apenas fazer parte, ele queria ser igual. Ter nascido igual. Ter sido tratado da mesma forma.
Porque esse padrão é confortável, é prazeroso, é bonito.
Ser comparado a um personagem cujo nome é “patinho feio”, para alguns, pode parecer uma ofensa.
Mas essa foi a coisa mais poética que já me disseram.
Antes, meu cabelo realmente estava mais curto.
Eu estava mais gordo. Pouco me cuidava.
Mas hoje… ainda me sinto da mesma forma.
Mesmo tendo emagrecido. Mesmo com o cabelo maior.
Eu nunca fui e nunca me considerei, bonito.
Assim como o patinho feio.
Talvez o sentido da história seja esse.
Eu amo com toda a minha força. Mas morro de medo de não ser amado.
Eu falo, falo mesmo, com toda minha força, mas tenho medo de estar incomodando.
Minha risada vem de dentro e ecoa por todo o horizonte, mesmo quando a tristeza me acompanha todos os dias.
Estou sempre sorrindo. Sempre amando, mesmo sem ser correspondido. Sempre tentando me enturmar, mesmo sem ter sido convidado.
E tem uma parte da história que muita gente esquece:
No final, o patinho feio olha seu reflexo no lago e vê que, na verdade, ele sempre foi e sempre será um lindo cisne e assim como eu, finalmente criando asas.
Com carinho, Bruno Braga. 🌻



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