All Too Well

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Dedico essa poesia para três artistas da minha vida: Taylor Swift, Billie Eilish e Lana del Rey.

Tudo ficará bem.
É o que dizem.
É o que repetem.
É o que empurram goela abaixo.
Mas… por que meu coração ainda bate por você?

Por que minha cabeça ainda te visita
mesmo com as red flags tremulando
mesmo com o alerta piscando
mesmo com o meu amor sangrando?

Eu te amei.
Com tudo.
Com tudo que eu sou.
E tudo que você rejeita.

Não me chame de intenso,
não diga que falo demais,
que pareço um maestro sem plateia.
Você zombou da minha essência.
Destruiu tudo que me fazia ser… eu.

Você muda perto dos seus amigos.
Sorriso contido.
Postura moldada.
Personalidade de vitrine.
E eu?
Eu vi.

Eu segurei tua mão.
Você segurou a minha.
Disse: tudo vai ficar bem.
E segundos depois…
fingiu que nem me conhecia.

Você não me ouve.
Nunca me ouviu.
E mesmo que eu me despedaçasse todinho,
mesmo que eu virasse fumaça pra te caber,
você não iria me amar.

Porque quem ama… ama o que existe.
E eu… eu existo demais pra você.

Você disse que a Taylor é básica,
Que a Billie é sapatão ,
E que a Lana Del Rey tem depressão.
As mesmas que seguraram minha alma
quando eu quis deixá-la cair.

Você nunca amou o que eu amei.
Nunca amou… nem a mim.

E todas as nossas conversas?
As risadas no carro?
As confissões madrugada adentro?
Mentira.

Me diz,
quem você é quando não está atuando?
O que você diz de mim quando eu viro as costas?
Você me defende?
Ou se junta à plateia?

Você acha que somos amigos?
Amigos não apagam.
Amigos não somem.
Amigos não assistem você quebrar…
calados.

Não diga que tudo ficará bem
quando você é o motivo da minha tristeza.

Eu nunca fui a criança das festinhas,
do grupinho,
do normal.
Mas sempre quis ser.

E sempre ouvi a mesma mentira:
tudo ficará bem.

Mas como?
Se nada nunca fica?
Se o beijo sincero não vem?
Se o abraço firme escapa?

Você não é o culpado pelas minhas lágrimas.
Elas já escorriam antes de você.

Eu sou meu maior hater.
Você não precisa me odiar,
já faço isso com maestria.

Odeia minha voz? Eu também.
Odeia minha companhia? Eu também.
Meu cabelo, meu corpo, minha bagunça?
Eu também.

Você não precisa me excluir
eu já me ausentei.
Não precisa me convidar
eu já não iria mesmo.

Não precisa me amar.
Eu entendo.

Existem pessoas mais leves.
Mais fáceis.
Mais… simples de engolir.

Mas me diz…
que falta eu faria no mundo?

Escrever?
Mais versos jogados ao vento?
Mais dores transformadas em rimas que ninguém lê?

Se quiser ajudar alguém com depressão,
não diga “não se mata, por favor”.
Convide.
Inclua.
Abrace.

Não fale… faça.

Eu sei que não devo.
Mas às vezes, eu quero.
Quero desistir.

Mas eu não desisti.
Eu só parei.

E talvez, só talvez,
essa seja a parte mais triste de tudo.

Eu começo escrevendo pra você.
E termino tentando entender o que eu ainda faço aqui.

Afinal…
All too well.

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