Eu sou mesmo muito tolo.
Como não percebi isso antes? Estava tão óbvio! Como não percebi que estou apaixonado por você desde o momento em que te vi? É como amar no escuro, como buscar, num campo vasto e imenso, algo minúsculo como uma formiga. É como perder o caminho de casa ou procurar ouro em meio à destruição. Isso, sim, é uma tolice.
Amar você é como desejar uma estrelinha dourada: ela está distante, mas continua linda e brilhante. É imaginar uma constelação inteira com você, sonhar com maneiras de destruir a barreira entre nós. Mas, de que adianta? Você já tem sua própria constelação, sua dimensão inteira do cosmo. Sua órbita está cheia de alegria, de acolhimento cheia de amor. Suas duas joias raras são tão preciosas quanto seu coração. Seu amor por ela é tão puro quanto o meu por você. Isso também é uma tolice.
Será tolice querer te contar tudo? Sonhar com você, desejar você, pensar em você? Será tolice te amar? Amar um amor que já pertence a outra pessoa? Amar o carinho que nunca recebi, a boca que nunca beijei, a reciprocidade que nunca tive, o toque que nunca foi tocado, o amor que nunca foi amado? Isso também é uma tolice?
Amar não é pecado. E se eu estiver errado? Existem tantas formas de amar, tantas formas de viver um amor verdadeiro… Não é tolice te amar, certo? Mesmo que suas estrelinhas sejam outras, eu ainda posso ser seu amigo? Ainda posso te contar tudo? Ainda posso te amar? Será isso suficiente? Por quanto tempo conseguirei sustentar a mentira de que isso é suficiente? Talvez isso, sim, seja tolice.
Talvez eu esteja enganado. Talvez ele também goste de mim. Talvez ele viaje até meu planeta e abandone sua constelação. Talvez não seja coisa da minha cabeça. Talvez ele também ame as estrelas nos meus olhos, o brilho da minha aura, o segredo que guardo do cosmo, as aventuras que vivo em silêncio. Talvez… mas essa é, com certeza, a maior das tolices.
Independentemente do rumo que isso tome, eu sei o que senti.
Não importa o quanto fui tolo, imaturo ou iludido, eu aceitei um sentimento profundo por alguém. E isso, num mundo onde tudo é tão raso, é um ato de coragem. Não foi tolice te amar. Talvez tenha sido tolice acreditar que seria possível. Mas, se eu não tivesse me permitido sentir, teria sido ainda mais tolo. Amar o impossível é coisa de poetas torturados.
É isso, afinal, não é tolice.
É só amor. Amor não correspondido.
Com muito amor de seu amigo, Bruno Zampirolli. 💫



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