Da névoa de Veneza ao sol ardente de Pontes e Lacerda.
No início do século XX, a Itália respirava um ar denso. A unificação do país ainda era recente e frágil, e nas regiões do norte — como o Vêneto, onde a sereníssima Veneza repousa sobre a água — as tensões políticas, a pobreza e a pressão do novo governo levavam milhares de italianos a buscar uma vida além-mar. Foi nesse cenário que viveram Agostine Zampirollo e Maria Quagliato, dois filhos da terra italiana, com raízes fincadas no chão e o coração cheio de esperança.
Em Veneza, cidade de canais e sonhos refletidos na água, Agostine e Maria tiveram um filho: Sante Zampirollo, nascido em 14 de junho de 1865. Sante cresceu entre becos apertados e sinos de catedrais. Já jovem, conheceu Silvia Fontolan, filha de Antonio Fontolan e Domenica Grillo, nascida em 1866 — uma mulher firme, de olhar atento e espírito sonhador. Casaram-se em 29 de setembro de 1889 e tiveram ao menos oito filhos. Entre eles, estava Rosa Zampirolli.
Porém, o que deveria ser um tempo de paz virou angústia. A pressão política crescia, os ventos do autoritarismo sopravam forte no norte da Itália. A vida ali se tornava insustentável. Foi então que Sante tomou a decisão mais difícil de sua vida: partir. Deixar sua terra natal, cruzar o oceano e tentar a sorte no Brasil.
Em 1895, a família desembarcou no estado de São Paulo, mais precisamente no município de Fádua (atual Fábapuã), onde a terra era vermelha, quente, e a língua era outra. Lá, entre plantações, noites de saudade e uma nova cultura, Rosa Zampirolli cresceu. E foi ali que ela conheceu Caetano Jacintho, nascido em Sertãozinho, filho de Bifanio Cardoso e Barbara Jacintho — um homem brasileiro, trabalhador, de alma doce e coragem de sobra. O encontro dos dois selou o início da linhagem Jacintho no Brasil.
Rosa, agora Rosa Zampirolli Jacintho, carregava no nome a fusão de dois mundos: a força da imigração e a raiz que fincava no novo lar. Juntos, tiveram pelo menos cinco filhos. Rosa faleceu em 16 de agosto de 1973, em Piacatu, aos 72 anos, deixando um legado de força, memória e transição.
Entre esses filhos, nasceu Antenor Jacintho, em 10 de janeiro de 1919, em Tabapuã. Cresceu entre histórias contadas à luz de lamparinas, com o sotaque dos avós e o riso dos pais. Em 19 de julho de 1945, casou-se com Idalina Jardim. Tiveram dois filhos: Laudelina e Oswaldo.
A história então mergulha ainda mais fundo na terra brasileira. Oswaldo Jacintho, neto de Rosa, casou-se com Manuelina Alves Moreira. No estado do Paraná, eles tiveram Gisele Jacintho
E então, a roda do tempo girou mais uma vez. Gisele se uniu a Leandro Braga, e dessa união, no coração do Mato Grosso, na cidade de Pontes e Lacerda, eu nasci: Bruno Jacintho Braga — escritor, artista, filho de uma linha ancestral que cruzou mares, enfrentou ditaduras, e se reconstruiu em terras estrangeiras. Eu sou o fruto de séculos de coragem, da poesia guardada nos olhos de Rosa, da bravura de Sante, da paixão de Caetano, do amor firme de Antenor, e da força de Gisele. Um menino que carrega no sangue as águas de Veneza e os rios do Centro-Oeste. Que escreve versos com a tinta herdada dos silêncios da imigração. Que transforma a saudade em palavra.
Sou Bruno. Sou poeta. Sou Gênese.
Com carinho, Bruno Zampirolli 💕
Obs: Meus agradecimentos ao Family Search, graças a eles, pude conhecer a origem de meus antepassados. 😘



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