Um tributo a Chappell Roan
Boa sorte, querido.
Um dia, talvez no silêncio abafado da madrugada, você vai acordar com o coração disparado. Vai olhar para o lado, esperando me encontrar — mas só vai haver vazio.
E isso vai te corroer. Vai ser o seu fantasma pessoal.
Você pode tentar fugir da minha lembrança, mas cada vez que tocar Taylor Swift num mercado, numa festa, num carro qualquer… vai me ver dançando com o coração aberto e os olhos fechados.
Essa é a sua maldição. O seu castigo.
E quando o mundo descobrir a verdade — a sua farsa, sua vergonha — estarei lá. Não para te julgar, mas para testemunhar o seu colapso com um sorriso discreto nos lábios.
Ela nunca vai ser eu.
Ela nunca vai ter a minha risada, aquele som que fazia o mundo parar por um segundo.
Ela nunca vai ter meu brilho, meu caos doce, minha coragem de ser inteira.
Você se escondeu num armário de vidro, achando que ninguém veria. Mas, olhe ao redor: todos veem. Que mico, amor. Que mico histórico.
Boa sorte, querido.
Você nunca mais vai voltar pra casa comigo de bicicleta, sentindo o vento enquanto o sol se despede.
Nunca vai estudar medicina, nem se tornar neurologista ao meu lado cardiologista.
Esse futuro… era pura ficção. Sua fantasia covarde.
Eu fui mais forte.
Fui mais honesto.
Olhei no espelho e me aceitei — com todas as cores da minha alma bissexual.
Enquanto você? Você se esconde. Por medo. Por vergonha. Por comodidade.
Mas um dia… um dia você vai ligar a TV e me ver recebendo um dos maiores prêmios da literatura. Vai lembrar que disse que eu nunca seria nada.
E vai engolir cada palavra com gosto de arrependimento.
Na sua velhice, quando tudo for silêncio e solidão, 2019 vai te visitar como um espectro. Vai chorar por mim. Vai sentir saudade. Vai doer.
E ironicamente, vai morrer de síndrome do coração partido — justo você, que me impediu de ser seu cardiologista.
Você entenderá, enfim, como o efeito borboleta bate as asas e destrói mundos.
E eu serei o eco que você nunca conseguirá calar.
Com Karma, Bruno Zampirolli. 😘



Deixe um comentário