Verdade

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Certa vez, Mark Sloan (meu personagem favorito de Grey’s Anatomy) disse que, quando amamos alguém, sempre devemos dizer isso a essa pessoa. Não importa qual seja a reação dela, não importa se realmente vai nos machucar, precisamos dizer.

Mark só conseguiu contar para Lexie que a amava quando ela estava prestes a morrer. Jackson sempre seguiu os conselhos de Mark e, quando teve a oportunidade, levantou-se do banco da igreja e disse a April que a amava. Ela estava no altar, prestes a se casar com outro homem. Mas, mesmo assim, Jackson contou a ela.

Eu precisei de muita coragem para seguir o exemplo de Mark e Jackson, porém, eu consegui! Do meu jeitinho.

Eu sou a Taylor Swift dos livros!

Segue o texto que fiz contando toda a verdade para alguém que eu amei:

Verdade

Se você está lendo isso, pode ter certeza de que minha última gota de sanidade se esgotou. O que é curioso, já que foi minha psicóloga quem me pediu para fazer isso. Então, se algo der errado, a culpa será dela e não da minha imprudência ou do meu impulso.

Como escritor, costumo dizer que todas as histórias têm começo, meio e fim. O mais interessante sempre é o fim. Em nossos ciclos, também há encerramentos, e quando eles não acontecem, ficamos nos perguntando o que poderia ter sido. Então, para tirar esse peso da consciência, vou lhe contar toda a verdade – goste você ou não.

A verdade é algo difícil de dizer, mas se tem algo que sei fazer bem, é escrever. Então, em vez de falar, vou escrever.

Desde o momento em que te conheci, me apaixonei por você.

Calma, não se assuste! Não é hora de dizer coisas do tipo: “Sou hétero, desculpa aí, mas não curto…” Eu já sei de tudo isso. Mas há um tipo de amor – o mais cruel que existe – que destrói qualquer esperança de ser correspondido. E posso dizer que sou especialista nele.

Mesmo ciente de todas as impossibilidades, no início não consegui me desvincular desse sentimento. Então, meu mecanismo de defesa entrou em ação.

Na primeira vez em que saímos para assistir ao jogo do Corinthians, tive a total certeza de que nunca teríamos algo além de amizade. Não estou dizendo que sua amizade não é valiosa, mas, naquele momento, decidi me priorizar pela primeira vez na vida. Então, a melhor escolha foi me afastar de você.

E devo dizer que funcionou. Hoje, não sinto mais nada além de amizade por você. Não pense que foi fácil ignorar ou deixar de conversar, porque eu gostava da nossa amizade. Mas era necessário, pois eu não podia mais sentir algo que não teria reciprocidade. Já passei por isso antes e, se tenho uma qualidade, é a capacidade de desfazer sentimentos tão rápido quanto os crio.

Eu preciso me apaixonar por alguém que sinta o mesmo por mim, que me ame do jeito que sou. Então, na minha cabeça, não fazia sentido continuar falando com você sabendo que você não poderia me dar isso. E está tudo bem.

Agora, talvez você esteja se perguntando: “Se ele fez tudo isso, por que, numa terça-feira qualquer, me mandou mensagem?”

Bem, como já fiz antes, vou lhe contar toda a verdade.

Não acho justo simplesmente parar de falar com uma pessoa sem ao menos conversar com ela antes. Agora que me desvinculei de tudo que sentia, me senti pronto para dizer. Não me importa se, de alguma forma, você já sabia. Eu só queria colocar isso para fora.

Dito isso, quero que saiba que admiro muito o seu esforço. O fato de você se dedicar tanto à faculdade, mesmo com desafios, trabalho e dificuldades, é algo valioso. Se um dia precisar desabafar, saiba que estou aqui. Nunca quis perder o contato com você, apenas precisava desse tempo para encerrar um ciclo.

E já que o intuito é ser totalmente sincero, preciso confessar: te dei um apelido carinhoso.

Calango seco!

(Não leve para o pessoal, mas o apelido pegou entre meus amigos.)

Aliás, postei um vídeo no TikTok com o meme do calango seco, e ele bateu 111 mil visualizações. Você meio que virou um meme. Todo mundo começou a refazer a trend com apelidos engraçados também. (Por favor, não me processe!)

Ah, e no ano passado escrevi um texto inspirado em você, chamado “Style”. Ele bateu 80 mil visualizações no meu site: brunobraga.site. Se quiser ler, está lá. Ou seja, gostar de você não foi cem por cento em vão – pelo menos, lucrei com isso.

Um fato interessante sobre mim: sou a Taylor Swift dos livros. Escrevo sobre todos que já gostei, e vocês viverão para sempre em minhas histórias.

Agora, sem mais segredos, me sinto mais leve só por ter escrito isso.

Não sei se vou te enviar esse texto. Minha psicóloga diz que sim, mas meu advogado diz que não. Talvez eu só envie após a minha morte, mas isso seria dramático demais. (Apesar de eu adorar um drama.) Mas já pensou? Eu morrendo e todo mundo recebendo cartas, ficando com a consciência pesada? Eu ia rir muito lá de cima… ou de baixo, né? Vai saber.

O texto está ficando maior do que o planejado, mas é isso que acontece quando guardamos nossos sentimentos por tanto tempo…

Antes de encerrar, preciso dizer algo. Mesmo não gostando mais de você de forma romântica, ainda me preocupo com você. Tenho notado que, às vezes, você parece triste ou muito cansado na aula. Sei que nem todos têm uma rede de apoio eficiente, então, se precisar desabafar, pode contar comigo.

E eu sei que você já sabe, mas preciso dizer: fumar, beber e usar drogas não são as únicas formas de lidar com o caos do mundo. Se precisar de terapia, conheço uma organização chamada Coletivamente, que oferece atendimento acessível. Não estou dizendo que você é louco – todos nós precisamos de um espaço seguro para desabafar. Talvez essa seja a ajuda que você precisa, porque, por mais prazeroso que pareça, o caminho das drogas é degradante.

Por fim, estou te contando tudo isso porque precisava colocar um ponto final nessa história. E só de escrever, já me sinto em paz.

Minhas escolhas me trouxeram bons resultados, e eu acredito que nossas decisões moldam nosso destino. É por isso que gosto tanto de jogos de escolhas como Detroit: Become Human, The Walking Dead, Until Dawn, The Quarry… Eles nos mostram que nosso final depende das nossas escolhas.

Então, tome cuidado com as suas, Fulano de tal (jojo toddynho.

Desejo que você tenha um bom final.

Querido e gentil leitor,

Se você chegou até aqui, sinto em lhe informar que ele não teve a reação que todos esperavam. Simplesmente, após receber esse texto lindo e artístico, ele me enviou apenas:

“kkkkk Oloko.”

Nem todos apreciam a arte, tampouco sabem lidar com os sentimentos alheios com responsabilidade afetiva. Mas está tudo bem. Não tenho mais nada a dizer para Fulano de Tal, apenas deixo aqui a icônica frase da filósofa contemporânea Jojo Todynho:

“Pior arrependimento da minha vida, eu tava maluca.”

Queridos, não se decepcionem. Lembrem-se do que disse na introdução deste post: precisamos dizer, independentemente da resposta. Em nenhum momento eu esperava algo digno vindo dele, apenas precisava falar, tirar esse peso das minhas costas.

Não posso prever o que se passou na cabeça dele, mas, queridos, quando alguém se abrir com vocês, quando alguém expressar seus sentimentos, o mínimo que se pode fazer é acolher essa pessoa com gentileza.

Oloko, né?

Com carinho, Bruno Braga.

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