Meias sujas 🧦

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Eu sempre fui colorido, enquanto muitos enxergavam apenas em preto e branco. Meu mundo sempre teve muitas cores. Mas nem sempre fui aceito por isso.

Hoje, uso um par de meias coloridas que representam minha luta diária para continuar vivendo no meu mundo de cores. Mas agora, elas não estão mais limpas. Elas foram manchadas pelo seu preconceito. Sua maldade me fez enxergar o mundo em preto e branco. Você não me amou como a si mesmo. Você me julgou. Você me maltratou. Você me excluiu. Você sujou minhas meias.

Carrego comigo o orgulho de usá-las, enquanto você carrega apenas seu orgulho, seu ego, sua monstruosidade. Um dia, minhas meias estiveram limpas. Eu sorria, brincava, me apaixonava sem medo. Mas hoje, não me surpreendo mais. Nem em outra vida você aceitaria minhas cores. E isso é uma pena, porque eu só queria usá-las em paz.

A decepção amorosa sujou minhas meias. As brigas, as intrigas e os conflitos internos apagaram minhas canetinhas coloridas, aquelas que eu tanto amava usar. Enquanto eu te entreguei flores, você me entregou seu ódio e me empurrou daquele penhasco. Não era só um sonho ruim. Era uma visão do meu futuro. Nenhuma surpresa. Você sujou minhas meias.

Era uma vez um garotinho que vivia com um sorriso no rosto. Ele sempre foi alegre, responsável, obediente e bondoso. Mas, acima de tudo, nele habitava uma luz, uma esperança, um olhar de sonhador. Um menino inocente. Um menino colorido.

Sua luz foi se apagando conforme o ódio entrava em sua vida. Ele só queria ser ele mesmo. Mas um dia, teve uma visão distorcida de si próprio. Ele começou a enxergar um monstro onde, na verdade, só havia luz. Ele passou a acreditar que todos o odiavam. Ele nunca se sentiu talentoso e habilidoso em nada.

Ele foi muito amado. Mas o mais cruel sobre o amor é que, por mais que você receba muito de algumas pessoas, o ódio de uma pequena parcela pode te marcar para sempre. Palavras são como tiros. Sua boca, um revólver. E sua maldade pode mudar a vida de alguém.

Esse garotinho nunca viu maldade nas pessoas. Talvez alguns o chamassem de ingênuo, mas ele era apenas bondoso. Ele acreditava que o amor venceria o ódio. Mas as pessoas sugaram dele cada pingo de esperança, cada gota de inocência, cada sorriso. Deixaram apenas mágoas, lágrimas e um coração quebrado.

Hoje, ele não acredita mais no amor. Ele duvida que alguém possa amá-lo de verdade. Muitas vezes, tem medo de ser autêntico, porque sabe que o mundo espalha ódio sem pensar em quem ele pode destruir. Suas cores foram roubadas pouco a pouco, até não sobrar mais nada.

Nada além de um corpo vazio e sem esperança. Um corpo que um dia foi cores, mas agora é apenas um túmulo de vagalumes.

Esse garotinho sou eu. E tudo o que restou foi um par de meias sujas.

Com carinho, Bruno Braga. 🌈

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