O Caderno e o Destino
Entre as prateleiras repletas de cores e histórias por contar, pai e filho percorriam os corredores da papelaria. O pequeno, olhos brilhantes de encanto, agarrou um caderno com firmeza.
— Esse, pai! Esse do Ben 10!
O homem pegou o objeto nas mãos, analisou o preço e suspirou.
— Esse está muito caro, meu filho. Mas olha este aqui, com uma arara e um jacaré do Pantanal… Ou este, com um surfista domando as ondas. Que tal esse outro, do skatista em pleno ar?
O menino hesitou, mas seu coração já havia escolhido.
Antes que o pai pudesse insistir na economia, uma doce e experiente senhora, que observava a cena à distância, aproximou-se com um sorriso sábio.
— Bom dia, jovem papai! Que menino lindo e estudioso! Escolheu um belo caderno… Faça a vontade dele. Incentive-o. Pequenos gestos moldam grandes futuros. Acredite em mim, você não se arrependerá.
As palavras, carregadas de ternura e convicção, fizeram o menino apertar ainda mais o caderno contra o peito. Com a confiança renovada, puxou o pai pela mão, arrastando-o decidido até o caixa.
Ao passar pela senhorinha, o homem esboçou um sorriso de agradecimento, mas por dentro resmungava:
“Velha intrometida… Vá lavar uma louça, fazer crochê, buscar sua aposentadoria, ao invés de me fazer gastar dinheiro.”
Anos depois, sentado diante de um auditório que ovacionava seu filho — agora um talentoso escritor e estudante de Direito — o mesmo pai se pegava a pensar:
“E se, naquele dia, eu tivesse negado aquele simples caderno do Ben 10? E se, ao invés de um, eu tivesse lhe dado uma livraria inteira?”
O destino se escreve em pequenos gestos.
Com Carinho, Leandro Braga.
Revisado por Bruno Braga.



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