Meu pai libertou o escritor que habita em todos nós! Algo que sempre digo, todos podem ser escritores. A escrita é uma forma de expressão, de dizer tudo aquilo que está preso no fundo de nossas almas e transformar sentimentos em palavras. Segue o belíssimo poema que ele fez em homenagem a minha querida e adorável Mãe.
Inesperado
Inesperado foi o despertar,
num sábado calmo, sem pressa ou afã.
Os ponteiros marcavam dez horas,
mas o susto gritou: “Estou atrasado!”
Até lembrar que era manhã de folga,
e o alívio sorriu ao meu lado.
Inesperado foi o convite,
pra festa que eu nem sonhava ir.
Eu, sempre preso entre quatro paredes,
aceitei de um amigo distante,
com quem dividia apenas o futebol,
torcendo por times rivais e vibrantes.
Inesperado foi te encontrar,
no meio da música, do riso, do som.
O olhar primeiro, a conversa leve,
o beijo que veio sem hesitar,
e tudo que veio depois, no escuro,
onde o desejo aprendeu a falar.
Inesperado foi perceber
que a vida me dava uma chance a mais,
a um homem e uma mulher, de mãos dadas,
de serem felizes sem olhar para trás.
Inesperado foi ver o tempo correr,
os filhos crescerem, a vida mudar,
o mundo girando, as marcas ficando,
as lições que vieram pra nos ensinar.
Inesperado foi perceber
que as palavras mudaram também,
e o tímido “eu te adoro” de outrora
hoje brilha num doce “eu te amo, meu bem”.
Para minha esposa amada, Leandro Braga.
Revisado por Bruno Braga.


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